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Invisibilizando Márcia X.

Invisibilizando Márcia X.

Domingo passado, dia 18 de maio, fui visitar a exposição da Márcia X.  no Paço Imperial, aqui na cidade do Rio de Janeiro. Deixei para ir no último dia, propositalmente, deixar para o derradeiro o prazer de ver as obras de uma artista que tanto admiro e é referência nas minhas práticas artísticas. O Terço foi criado inspirado na obra Desenhando com Terços.

Em outras palavras, estava super empolgado em ver sua exposição e fotografá-la. Afinal, sou um pesquisador das artes das sexualidades e a exposição de Márcia X. era um deleite não apenas artístico-visual, mas científico para a minha pesquisa de doutorado. No entanto, para minha surpresa, ao adentrar na sala, o aviso que recebo do segurança da sala: "esta exposição não pode ser fotografada". E o mais irônico é que a exposição se chama "Márcia X. Tornar visível, tornar invencível"

Márcia X., que já havia sido censurada em uma exposição realizada no CCBB RJ ("Erotica - Os sentidos na arte"), volta a ser censurada. Proibir que sua exposição seja fotografada também é uma forma de repressão, de tornar invisível. De quebrar o fluxo que uma exposição pode gerar para além do espaço expositivo e me faz questionar o motivo de tal proibição. Por que, entre todas as exposições em cartaz no Paço Imperial naquele momento, só a da Márcia X. não era permitida ser fotografada? De quem partiu esta decisão? Do Paço? Da curadoria? Do Estado? Da família? O que pretendiam com a proibição?

Sobre a exposição, me deleitei em ver obras que ainda não havia visto. De conhecer obras que já admirava. Embora, tenha achado a exposição pequena em relação a magnitude da carreira da artista. Merecia um espaço maior. Fica a dica para a realização de uma exposição mais completa e que faça jus a grandeza de Márcia X. e que seja fotografável, é claro.

Fotos por Bruno Novadvorski.
Rio de Janeiro/RJ, 2025 

Mesmo proibido, dar-se um jeito.